Tratamento de Calvície

    Entradas no Cabelo: Tratamento Clínico ou Transplante?

    As entradas costumam ser o primeiro sinal da calvície masculina. Em fases iniciais, o tratamento clínico pode estabilizar e até recuperar parte dos fios. Quando a perda já é definitiva, o transplante reconstrói a linha frontal. Entenda como decidir entre os dois, ou combinar ambos.

    Dr. Tiago Miolo
    19 de outubro de 2026
    7 min
    Entradas no Cabelo: Tratamento Clínico ou Transplante?

    Aviso médico: Este artigo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Medicações para calvície exigem prescrição e acompanhamento médico, e a indicação de transplante depende de avaliação presencial.

    As entradas são, para a maioria dos homens, o primeiro sinal visível da calvície. Elas aparecem nas laterais da testa, aprofundam o "M" da linha frontal e, com o tempo, podem se encontrar com a rarefação do topo da cabeça.

    Quem nota as entradas costuma chegar à consulta com uma dúvida direta: dá para resolver com remédio ou o caminho é o transplante? A resposta depende de em que fase a perda está e de quanto ainda vai evoluir. Neste artigo explico como essa decisão é feita.


    Entradas São Sempre Calvície?

    Nem sempre. É normal que a linha frontal de um homem adulto suba um pouco em relação à adolescência. Esse amadurecimento da linha frontal é diferente da calvície androgenética, que é progressiva.

    Alguns sinais ajudam a diferenciar, mas a confirmação vem da avaliação com tricoscopia:

    Amadurecimento da linha frontalCalvície androgenética
    Recuo pequeno e estávelRecuo que continua avançando
    Fios da região com espessura normalFios cada vez mais finos (miniaturização)
    Sem rarefação no topoPode vir acompanhada de rarefação no topo
    Sem histórico familiar marcanteHistórico familiar frequente

    Outras causas, como a alopecia de tração (por penteados que puxam o cabelo), também podem produzir entradas e precisam ser descartadas.


    Quando o Tratamento Clínico é o Primeiro Passo

    Se as entradas são recentes e os fios da região ainda existem, mesmo que afinados, o tratamento clínico costuma ser o primeiro passo. O objetivo é parar a progressão e, em parte dos casos, engrossar os fios que estão miniaturizando.

    A finasterida tem evidência específica para essa região. Um estudo duplo-cego com homens com rarefação na área frontal mostrou aumento significativo na contagem de fios na região frontal com finasterida 1 mg por dia em comparação ao placebo, com o efeito mantido no segundo ano (Leyden et al., 1999).

    O minoxidil tópico é outra opção estudada. Um ensaio clínico com 393 homens comparou as concentrações de 5% e 2% e mostrou resultados superiores com a de 5% (Olsen et al., 2002). Veja os detalhes no artigo sobre como usar o minoxidil.

    O ponto de atenção: o tratamento clínico não faz nascer fio onde o folículo já foi perdido. Ele preserva e recupera o que ainda existe.


    Quando o Transplante Entra em Cena

    O transplante é indicado quando a perda nas entradas já é definitiva, ou seja, quando não há mais folículos ativos suficientes na região para o tratamento clínico recuperar. Ele leva folículos da área doadora, na parte de trás da cabeça, que são resistentes à calvície, para reconstruir a linha frontal.

    Para entradas, a referência costuma ficar entre 1.500 e 2.000 enxertos, mas o número exato depende do tamanho das entradas e do desenho da linha frontal. Entenda o cálculo no artigo quantos enxertos eu preciso.

    O desenho é a parte mais delicada. Uma linha frontal natural:

    • Usa fios unitários na borda e unidades com mais fios logo atrás
    • É levemente irregular, nunca uma linha reta
    • Respeita a idade e o formato do rosto, para continuar natural daqui a 20 ou 30 anos

    Saiba mais no artigo sobre reconstrução da linha frontal.


    Por Que a Combinação Costuma Ser o Melhor Caminho

    O transplante trata a área que já foi perdida, mas não impede que a calvície avance nos fios nativos ao redor. O estudo clássico de Norwood mostrou que o padrão da calvície continua evoluindo com o tempo, inclusive em idades mais avançadas (Norwood, 1975).

    Por isso, na maioria dos casos, a estratégia é combinada:

    1. Tratamento clínico para estabilizar os fios nativos
    2. Transplante para reconstruir o que já foi perdido
    3. Manutenção do tratamento clínico depois da cirurgia, para preservar o resultado ao redor da área transplantada

    Sem a parte clínica, existe o risco de, anos depois, a área transplantada ficar isolada à frente de uma região que rareou.


    E em Pacientes Muito Jovens?

    Em pacientes de 20 e poucos anos com entradas iniciais, a cautela é maior. A calvície pode ainda avançar bastante, e um transplante feito cedo demais, com uma linha frontal muito baixa, pode ficar desproporcional no futuro. Em geral, a recomendação é começar pelo tratamento clínico, acompanhar a resposta e só depois decidir sobre a cirurgia. Veja mais em qual a idade ideal para o transplante.


    Perguntas Frequentes

    Remédio faz as entradas voltarem?

    Pode recuperar parte dos fios que estão afinando, principalmente quando o tratamento começa cedo. Onde o folículo já foi perdido, o remédio não faz o fio nascer de novo.

    Quantos enxertos são necessários para as entradas?

    Como referência, de 1.500 a 2.000 enxertos. O número exato é definido na avaliação, conforme o tamanho das entradas e a área doadora.

    Depois do transplante preciso continuar com remédio?

    Na maioria dos casos, sim. O transplante não protege os fios nativos ao redor, e o tratamento clínico ajuda a preservar o resultado a longo prazo. A decisão é sempre individual.

    O transplante nas entradas fica natural?

    Quando bem planejado, sim. O segredo está no desenho da linha frontal, no uso de fios unitários na borda e na angulação correta de cada enxerto.

    Com quantos anos posso fazer transplante nas entradas?

    Como referência, a partir dos 25 anos, quando o padrão da calvície costuma estar mais definido. Antes disso, o tratamento clínico costuma ser o primeiro passo.


    Conclusão

    Entradas recentes, com fios ainda presentes, costumam responder bem ao tratamento clínico. Entradas antigas, em que o folículo já foi perdido, precisam do transplante para serem reconstruídas. Na maioria dos casos, a melhor estratégia combina os dois: o tratamento preserva o que existe e o transplante devolve o que foi perdido.

    Quer saber em que fase estão as suas entradas? Agende uma avaliação com o Dr. Tiago Miolo.

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    Dr. Tiago Miolo

    Dr. Tiago Miolo

    CRM-SP 155427, RQE: 118896

    Cirurgião Plástico especialista em transplante capilar, com mais de 2.000 procedimentos realizados pessoalmente. Membro da SBCP. A Clínica All Fios já realizou mais de 2.000 procedimentos ao todo.

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